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segunda-feira, 4 de maio de 2020

PANDEMIA


Até bem pouco tempo atrás muitos não sabiam sequer o que significava a palavra pandemia, que vem do grego:
pan = todos + demus = povo; epidemia (doença infecciosa). Pandemia = doença infecciosa de larga abrangência.

Pois bem, passamos a entender na prática do que se tratava, juntamente com o resto do mundo. E com todo o cenário pandêmico, vem seus incontáveis desdobramentos: psicológicos, sociais, financeiros, ideologias políticas, etc.

Eu poderia entrar no detalhamento de cada aspecto acima, como o desafio do isolamento social; ou ainda da eminência da morte, a própria ou de alguém próximo; o terror da falência financeira; planos dados como certos, que foram interrompidos ou ceifados. No entanto, todos os aspectos se convergem no nosso maior cárcere: o medo de perder o controle, que achamos que temos.

Desde muito cedo, nós investimos em simbólicas ações que nos permitem a ilusão de acreditarmos que estamos no controle. Tal como escolher o que vestir, o que pedir para o almoço, com o que deseja trabalhar, gostos pessoais, entre outros. O desejo pelo controle está associado principalmente a necessidade de segurança, salvo algumas razões narcísicas, egóicas, patológicas.

E o Covid19, evidenciou com uma absurda transparência, o quão não estamos no controle de quase nada, não do que realmente importa. E para algumas pessoas esta constatação pode ser pior que o próprio vírus.

Estamos inseguros por não saber quando tudo vai passar, quando teremos nossa vida de volta, quando tudo vai voltar ao normal, mas já falam em novo normal, enfim, tudo muito incerto, para uma formação psíquica que depende de segurança para não adoecer.

Precisamos abrir mão da necessidade do controle. Eu explico: por certo que grande parte da sua vida deve estar sob o seu controle, mas depender disto para se sentir seguro e feliz que é o grande erro. Aceitar quando isto não for possível, mudar seu mindset para variável porque ele precisa se adequar a novos planos. Quando o futuro está nebuloso, se atenha ao presente, viva um dia de cada vez, se empenhando para que seja o melhor.

Ter o controle como alicerce da vida, traz a implicação de responsabilidades que podem nos engolir. Também pode ser libertador aceitar que nem tudo está sob o nosso controle e que não há nada de errado com isto.

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