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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

"ANSIEDADE" trocada em miúdos

 O idoso e a ansiedade: condição natural ou consequência da ampliação da  qualidade de vida? | Portal do Envelhecimento


É preciso falar mais detalhadamente sobre ansiedade. Sofrer de ansiedade é não experimentar sossego, nem de dia e nem de noite, é se sentir invadido por pensamentos irrelevantes que se misturam aos relevantes, e perturbam a concentração de forma sistemática, de maneira que uma tarefa simples, requer o dobro de energia psíquica para ser realizada. O amanhã é preocupação constante, porque o sentimento de se sentir atrasado para não se sabe o que, passa a ser comum ; o hoje pode ficar para depois; mas o passado..., a este sempre se poderia ter feito mais por ele; e esta forma cativeiro de se lidar com o tempo é o que há de mais cruel para o ansioso. O futuro é incerto e retém toda a sua atenção, o passado serve como sentenciador e o ocupa com arrependimentos e reflexões. E o hoje, não existe porque é pura sobrevivência.

Ansiedade está associada a ritmo do psiquismo, velocidade dos pensamentos e não necessariamente ansiar por algo ou por alguém. É um aceleramento psíquico que exaure quem sente e quem convive com o ansioso patológico. Leva a uma desordem fisiológica, onde o organismo produz substâncias excitantes mesmo quando o desejo é apenas dormir. Na aparência, o sujeito pode passar uma tranquilidade budista, mas por dentro, o caos está estabelecido.

É preciso parar de tratar a doença como traço de personalidade, ou seja, não “é jeito de ser”, é um excesso de essência que pode ser tratado e melhorado.

O “cérebro emocional” não foi adaptado e ainda não disponibilizou recursos extras para lidar com tanta informação vinda, de todos os lados, de forma simultânea e sem filtros. Somos submetidos a gatilhos de emoções opostas apenas com um deslizar de tela do smartphone. O ego fica facilmente destroçado e se sente aquém da “eficiência mundial.”

Enfim, a ansiedade pode ser uma fonte maior de energia e disposição, que ser for bem aplicada, será aliada, mas precisará estar sempre em monitoramento. Do contrário, agirá em curto prazo para reunir um conjunto de sintomas que trará uma coletânea de outras patologias secundárias.

Ansiedade tem tratamento e tem controle.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

PANDEMIA


Até bem pouco tempo atrás muitos não sabiam sequer o que significava a palavra pandemia, que vem do grego:
pan = todos + demus = povo; epidemia (doença infecciosa). Pandemia = doença infecciosa de larga abrangência.

Pois bem, passamos a entender na prática do que se tratava, juntamente com o resto do mundo. E com todo o cenário pandêmico, vem seus incontáveis desdobramentos: psicológicos, sociais, financeiros, ideologias políticas, etc.

Eu poderia entrar no detalhamento de cada aspecto acima, como o desafio do isolamento social; ou ainda da eminência da morte, a própria ou de alguém próximo; o terror da falência financeira; planos dados como certos, que foram interrompidos ou ceifados. No entanto, todos os aspectos se convergem no nosso maior cárcere: o medo de perder o controle, que achamos que temos.

Desde muito cedo, nós investimos em simbólicas ações que nos permitem a ilusão de acreditarmos que estamos no controle. Tal como escolher o que vestir, o que pedir para o almoço, com o que deseja trabalhar, gostos pessoais, entre outros. O desejo pelo controle está associado principalmente a necessidade de segurança, salvo algumas razões narcísicas, egóicas, patológicas.

E o Covid19, evidenciou com uma absurda transparência, o quão não estamos no controle de quase nada, não do que realmente importa. E para algumas pessoas esta constatação pode ser pior que o próprio vírus.

Estamos inseguros por não saber quando tudo vai passar, quando teremos nossa vida de volta, quando tudo vai voltar ao normal, mas já falam em novo normal, enfim, tudo muito incerto, para uma formação psíquica que depende de segurança para não adoecer.

Precisamos abrir mão da necessidade do controle. Eu explico: por certo que grande parte da sua vida deve estar sob o seu controle, mas depender disto para se sentir seguro e feliz que é o grande erro. Aceitar quando isto não for possível, mudar seu mindset para variável porque ele precisa se adequar a novos planos. Quando o futuro está nebuloso, se atenha ao presente, viva um dia de cada vez, se empenhando para que seja o melhor.

Ter o controle como alicerce da vida, traz a implicação de responsabilidades que podem nos engolir. Também pode ser libertador aceitar que nem tudo está sob o nosso controle e que não há nada de errado com isto.

sexta-feira, 1 de março de 2019

ESTAMOS MUDANDO O MUNDO E O MUNDO ESTÁ NOS MUDANDO

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Ultimamente tenho me pegado pensando muito antes de falar ou de escrever. Num primeiro momento pensei: hum... isto é bom, finalmente a tal ponderação! Mas em seguida vi que poderia ser mal sinal, estou perdendo a minha fala por temer ser mal interpretada, provocar desconforto em quem pensa diferente, no entanto, eu confio nas minhas intenções, e correr riscos faz parte, sempre. Porque afinal, é isto que move o desenvolvimento humano: questionar, ser questionado, refletir, encontrar espaço na tolerância para reflexões e pensamentos diferentes, reavaliar convicções, abrir mão ou defender pensamentos... Enfim, eu vi que estava começando a compactuar demais com o universo da “mimilândia”.

Vamos ao que interessa, pra isto quero usar um exemplo: o que houve com o bom e velho “bom dia” e o “muito obrigado”? Agora é só “excelente dia”, “ótimo dia” e “gratidão”! Acho lindo e também respondo o mesmo, quando o cumprimento é este! A Psicologia Positivista junto com as técnicas de Programação Neurolinguística, são eficazes sim, no entanto, eu tenho a impressão que o inconsciente coletivo está sendo conduzido, para de fato criar expectativas de uma “excelência” em tudo, e que manifestar “gratidão” o tempo todo, contribuirá maciçamente para girar a abundância ao redor. Muita calma nesta hora...

Se não puder ser um excelente dia, mas foi bom, tudo bem. Se não foi bom, mas foi feito o que estava ao alcance, tudo bem. Se não foi feito o que estava ao alcance, tudo bem também, porque somos falíveis e o padrão de excelência não está ao nosso alcance full time.

Eu peguei apenas exemplos pueris e talvez pouco expressivos sobre algumas mudanças em nosso modus operandi comportamental, que possa estar alterando a forma como enxergamos o mundo a nossa volta. E que, como tudo, traz benefícios e consequências.

Em nenhum outro tempo, eu vi um crescimento tão rápido de TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizado), no consultório. As pessoas manifestam sintomas cruéis, que as põem em crise sintomática: taquicardia, dor no peito, angústia, sensação de aprisionamento no próprio corpo, inquietação que não cessa, insônia, etc.

Qual a razão disto? As pessoas estão atrasadas para que? A insatisfação e a sensação de menor valia vêm de onde e comparado a que ou a quem? Elas sentem que sofrem censura o tempo todo de ordem externa, e que isto encontra terreno fértil dentro si mesmas.

Estamos cada vez mais com ferramentas diversas, disponíveis para promover o que há de melhor com relação ao potencial humano. Isto tudo deveria servir para aprofundar autoconhecimento, talvez encontrar uma excelente parceria/ amizade com a versão redescoberta de si mesmo, não para deflagrar uma corrida, perseguindo um sucesso que está atrasado para chegar.

Existem muitos artigos, com o subtítulo: “o mundo moderno está nos adoecendo”. Não acho que é para tanto ou não precisaria ser, mas quando ignoramos as mensagens subliminares que há nas mudanças comportamentais, permitimos que os efeitos colaterais se estabeleçam sem associação aparente.

Conclusão repetitiva: não há mágica, não há pílula do sucesso, não há lavagem cerebral. O autoconhecimento dá trabalho, é árduo, algumas vezes dói, mas é efetivo. Diminuir o ritmo não é sinônimo de ficar para trás, é ter controle sobre os anseios para não ser engolido por eles. Priorizar a relativa “paz de espírito”, não é aceitar a ineficiência, ao contrário, é amadurecimento de conceito, ela não virá como resultado se ela não tiver feito parte do processo.


quinta-feira, 12 de julho de 2018

A HISTORINHA DESTE ESPAÇO NOVO

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A Psicanálise surgiu na minha vida muito cedo, e eu não sabia que ela tinha esse nome ou que ela faria parte do meu futuro. Mais eu já sabia o que ela representava pra mim: mais que uma profissão, já era um fundamento.

Eu tive a sorte de encontrar pessoas que me apoiaram para que ela se efetivasse na minha vida, mentores que me influenciaram, me encantaram pelo conhecimento e foram determinantes pra minha trajetória. Eu tenho o orgulho (egóico e confesso) de dizer que meus professores foram: Contardo Calligaris; Maria Rita Kehl; Carlos Aricó; Júlio Nascimento; Alfredo Jerusalinsky; Renato Mezan; Karin de Paula; Elisa Ulhôa, entre muitos outros psicanalistas incríveis e apaixonados pela "humanidade" do ser humano. Então, não tinha como declinar da proposta.

Dito isso, concluo que a Psicanálise já me beneficiou com: uma perspectiva nova de vida, uma profissão e um sustento, o prazer de trabalhar, e só faltava mesmo também fazer parte do meu lazer. 

Então..., a ideia deste espaço novo, surgiu daí: lazer. Onde é pra ser divertido, é pra ser um ponto de encontro filosófico, psicanalítico, social; um cinema, um pub, um bar, uma sala jeitosa, mas que aceita bagunça, onde é lugar de chegar e se sentir à vontade. 

As finalidades múltiplas: eu precisava de um espaço que coubesse mais pessoas, que a Psicanálise tivesse um alcance maior que apenas no consultório. Onde pessoas que não tem intenção, tempo ou perfil para terapia, mas tem interesse em discutir sobre temas de saúde emocional, tivesse um lugar pra isso, chamado "Psicanálise com Vinho".

Finalidade social: um setting analítico maior, que coubesse grupos de terapia, que não podem custear análise individual e que a Psicanálise faria toda a diferença em suas vidas.

Enfim, tudo isso junto, mas não misturado. Psicanálise com Vinho é pura diversão com conhecimento; terapia de grupo é fazer valer ainda mais, uma boa formação, que depois de 15 anos, só está no começo...

Entendeu? Então, está convidado!!!

quarta-feira, 11 de julho de 2018

DESABAFO NÃO!

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Uma vez, eu comprei um livro do Professor Contardo Calligaris, chamado “Cartas a Um Jovem Terapeuta”, e na dedicatória ele colocou que um dia seria eu escrevendo um livro igual aquele.
Prezado Professor, sinto em decepcioná-lo, mas hoje eu gostaria mesmo, era de escrever uma carta a um aspirante a analisando.
É exaustivo saber como as pessoas ainda pensam equivocadamente sobre o trabalho do Psicanalista. Então vamos lá, paulatinamente:


Estimado Analisando,

respondendo a sua pergunta mais recorrente: não. O Analista não vive de ouvir “desabafos”, pelo amor de Deus, sugiro que não cometa este insulto! Desabafo não requer conhecimento técnico ou anos de estudos, apenas um par de ouvidos seria suficiente.
Seguindo com suas dúvidas: não novamente. O Analista não dá palpite, nem opinião, nem tão quanto tira da manga soluções mágicas para seus problemas. Ele a princípio contribui para que você descubra quais são seus “verdadeiros” problemas.
Agora, sobre o primeiro encontro: a entrevista em terapia não serve pra saber se houve “simpatia” com o analista. O termo correto é empatia, e aliás, ela precisa ser recíproca. E não, a entrevista serve para muito mais que isto.
Imagino que agora queira saber o que o Analista faz afinal, já que é "não" para todas as perguntas. Parece cada vez mais fácil este trabalho...
Então prezado, o psicanalista recebe todas as informações da entrevista e as cataloga mentalmente, dividindo-as em queixas e sintomas. Em seguida, ele busca o enquadramento de um perfil diagnóstico analítico, já que todos nós nos encaixamos em um, e conforme cada um, requererá incrementos de atenção no acompanhamento.
Por fim, ele inicia o desenho de um mapa diagnóstico, que servirá de guia para determinar o ponto de partida; explorar os recursos psicológicos disponíveis no seu psiquismo e vislumbrar o seu ponto de alcance, ou seja, onde você deseja chegar.
Não se inquiete, é natural que você não tenha a maioria das respostas para o início do trabalho terapêutico, o que não é problema, mas também as respostas não serão sugestionadas pelo Analista. E isso por uma razão muito simples: o papel principal dele é servir de figura de transição, ele reproduz as perguntas pertinentes, coloca ênfase onde é necessária, mas as respostas saem mesmo é de você.
Tudo isso respeitando os limites do inconsciente individual e se responsabilizando por salvaguardar o setting analítico.

Continua achando mesmo que se trata de ganhar a vida ouvindo desabafos?